Entrevista concedida por Lucas Judice, CEO da MidStage, para o Fundacity (www.fundacity.com).

Link original da matéria: http://www.fundacity.com/article/midstage-interview

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Lucas Judice é CEO e co­fundador da Midstage Ventures, uma venture-builder brasileira presente também em Los Angeles, nos EUA. Ele é advogado de formação, e se aventura no desenvolvimento de startups desde 2013, quando nasceu a MidStage.

A Midstage já investiu em mais de 20 startups em setores de atuação diversos, como mobile, biotech, etc.. Eles são grandes entusiastas de produtos tangíveis que surgem de novas tecnologias e processos de inovação. Impacto social e plataformas de comunicação também brilham os olhos da Midstage.

Lucas hoje reside em Los Angeles, local que já foi apontado por diversas mídias como a 2a maior/melhor cidade para startups dos Estados Unidos e a 3a maior em número de investimentos do mundo, ficando atrás apenas de San Francisco e Tel Aviv. A posição estratégica da MidStage não foi à toa, sendo destacada hoje como a primeira venture builder brasileira, que tem essa ponte com os Estados Unidos para facilitar a internacionalização das suas startups.

1­) A Midstage Ventures se define como uma venture-builder. Qual a principal diferença em relação a modelos de aceleração tradicionais?
Atualmente o mínimo de consenso que existe na diferenciação entre incubadoras, aceleradoras e venture builders é que: Incubadoras têm alguma relação com Universidades e/ou academia; Aceleradoras consistem em aporte de capital baixo, espaço e mentoria por um período de tempo. Venture Builders a seu turno, vêm à somar ao movimento como um todo, e o propósito é auxiliar com serviços e muita mão na massa em diversas áreas do conhecimento.

Entendemos que não faz muito sentido aportar 20-30-50 mil reais em startups early-stage sem direcionar o gasto, pois não raro o dinheiro é utilizado de maneira imprecisa e/ou sem entender os porquês e prioridades. Não deve haver, portanto, um prazo curto de “aceleração”, mas um processo de “construção” que se prolonga na aquisição de maturidade do time e do negócio. A probabilidade dessa startup ter sucesso acaba sendo mais alta, em nossa opinião.

2) E como vocês apoiam as startups que investem?
Nosso core business é construir sonhos e projetos apresentados a nós. O apoio se dá em 2 fases, totalmente independentes no aspecto financeiro:

Na primeira fase é o “service for equity”, que é quando aportamos o capital destinado para os 11 serviços que entregamos. Essa fase pode durar meses ou anos, desde que tenha esforço da startup.

Em uma segunda fase, buscamos investimento – chamamos de cash boost. Esse novo aporte que dá liquidez à empresa pode ser feito novamente pela MidStage isoladamente, ou em co-investimento, ou por outros investidores externos.

3­) Imagino que o primeiro serviço que vocês tenham entregue tenha sido o de advocacia, certo? Como foi essa sua transição de advogado para venture builder?
O nascimento da MidStage foi algo bem natural. Em 2012, participamos de dois investimentos em startups, enquanto escritório de advocacia, e eles deram errado. Com o aprendizado e pelo erro do investimento (que à época podíamos dizer que se assemelhava ao investimento de uma aceleradora), entendemos que o nascimento da MidStage teria que agregar solidez e qualidade às startups em que iríamos investir, do contrário era a reputação do escritório que ficava em risco.

E assim nasceu a MidStage, como uma spin off de um escritório de advocacia, onde de início definimos que o modelo seria agregarmos serviços em troca de percentual. Naturalmente começamos com serviços jurídicos, mas já no mês 1 incluímos publicidade e assessoria de imprensa. Hoje são 11 serviços, na sua maioria bem “mão na massa”. O escritório ainda existe, mas a MidStage é o exercício prático da paixão e do sonho em empreender.

4) Qual o maior caso de sucesso da Midstage até hoje?
Realmente depende da definição de sucesso. O que mais apareceu na mídia foi o SuperCooler (www.supercooler.me), outros tiveram destaques internacionais (como Book4You – www.book4you.co; e Ergodontics – www.ergodontics.com.br)

Temos algumas grandes expectativas para 2015 em relação a diversas startups do nosso portfolio, e de plano destaco a Astan Bike (www.astanbike.com) e o AlmoçoGrátis (www.almocogratis.com.br).

5) O que te motivou a se mudar do Brasil para os EUA – quais oportunidades você viu lá que não teria aqui?
Minha ida aos Estados Unidos foi fruto de uma visão como advogado. Fui fazer Mestrado em Direito Empresarial/Societário na Universidade da Califórnia (USC) e o plano era de fato voltar ao Brasil depois de um ano para avançar com o escritório de advocacia e com a MidStage.

Acabei tendo algumas oportunidades logo de início, todas relacionadas com startups, vindo a me tornar presidente de uma associação internacional de startups, o que me levou a ser convidado como diretor de uma incubadora de Los Angeles. Daí foi um pulo para outras oportunidades e o estabelecimento da MidStage como a primeira venture builder brasileira e, ainda, com presença no Brasil (Vitória/ES e Curitiba/PR) e nos Estados Unidos (Los Angeles).

6) Em 2014 a MidStage organizou uma missão comercial chamada Venture in LA que levou algumas startups brasileiras para conhecer o ecossistema de Los Angeles. Conte-nos um pouco sobre o evento e o que está sendo planejado para 2015.
Venture in LA (www.ventureinla.com) foi muito legal para a MidStage e para os participantes. Em 2014 tivemos 12 startups Brasileiras conhecendo o boom de inovação em Los Angeles. A missão tem dois propósitos: acadêmico (mostrar aos Brasileiros o mindset americano de business e startups) e aproximação com investidores.

Em 2015 estamos com mais parcerias e com um grande apoio da Prefeitura de Los Angeles. Será um evento bem bacana – espero 🙂

Tal como no ano passado, o evento terá duração de 1 semana, com ainda mais atividades que do ano passado, e está programado para a 3a semana de novembro, mas datas serão confirmadas nas próximas semanas.

7) Quais são as principais informações que startups brasileiras precisam saber antes de entrar no mercado americano?
Que não é fácil, mas que pode recompensar. Qualquer brasileiro que mude para os Estados Unidos precisa de um tempo de aclimatação. A mentalidade de negócios é outra, objetiva, rápida e focada em rentabilidade. Por aqui, conhece, faz negócios e depois, quem sabe, vira amigo. No Brasil há essa “obrigação moral” de ser amigo e depois falar de negócios. A lógica e, sobretudo, a velocidade é outra.