Hora da sua Weed-Startup.

Polêmica? Não. Oportunidade.

 

Nos últimos anos a discussão sobre a legalização da maconha no Brasil tem sido constante e crescente, e não raro nos deparamos com marchas da maconha que há 5 anos atrás não atraiam tantas pessoas.

E o abarrotamento de participantes nas marchas de hoje em dia não se dá porque a repressão policial diminuiu (ainda que tenha, juntamente com o abrandamento da lei penal pelo porte), mas me parece lógico imaginar que a sociedade Brasileira vem, aos poucos, flexibilizando e revisando a carga negativa do uso da maconha – o que deixa as pessoas mais confortáveis em assumir o uso e em participar de eventos públicos com tal marca.

O uso da maconha não é, atualmente, tão “what the fuck” como era há poucos anos atrás. A legalização pode se dar, portanto, com a breve renovação política que já dá espaço para novas gerações.

Parte dessa flexibilização vem de países como Holanda, Estados Unidos, Uruguai e outros tantos. Especificamente na Califórnia, a maconha medicinal (que é vendida para dores de cabeça, depressão ou corte no dedinho mindinho do pé) aumentou significativamente a arrecadação tributária, para além de ter reforçado ao mundo que um Estado com maconha legalizada não passa a ser um local de malucos que vivem numa realidade alheia, psicodélica.

E o Brasil se move nessa direção – aparentemente. Parlamentares (mesmo os “velhos de guerra”) já levantam a bandeira, e programas televisivos como o Fantástico (Rede Globo) dão o xeque-mate contra a sociedade mais conservadora: educação da massa sobre a maconha medicinal ou o canabidiol no tratamento de doenças de alto risco.

É um começo, e a tendência do Brasil é seguir comportamentos estrangeiros que deram certo, ainda mais com o reforço padrão Globo de Televisão – o que está acontecendo com a cannabis. Aliás, após a matéria do Fantástico sobre o canabidiol, a CCJ do Senado aprovou a importação de maconha medicinal. E se pode importar, porque não pensar em produto nacional? Maconha made in Brazil.

Bom, a tendência está clara. E como empreender e faturar com isso? É o momento? Como andar numa linha tênue entre empreendedorismo e ilegalidade?

“Girl, we couldn’t get much higher
Come on baby, light my fire”
The Doors, Light My Fire

De fato quem estiver mais organizado para o começo da liberação é aquele que surfará a melhor onda, pois seja lá o tipo da liberação (medicinal ou recreativa), é fato que será comercializada para todos, tal qual na Califórnia para unha encravada.

E isso dará uma corrida de compra pela euforia da liberação, da novidade em fumar na rua e/ou dentro de casa sem medo de o cheiro chegar na casa do vizinho. Além disso, os preços estarão altos pela falta de concorrência no momento inicial.

Com uma possível liberação nos próximos anos (2 para a medicinal? Provavelmente menos), possivelmente também estará flexibilizada toda uma pecha social, o que aparece desde esportes (casos de doping pelo uso da maconha) como a comercialização em lojas boutiques de produtos relacionados com a maconha.

Setores da economia que podem florescer passam pelo farmacêutico, dermatológico, turístico (weed tour), rural, gastronômico, têxtil, além de bebidas, produtos acessórios (físicos) à maconha, tecnologia/aplicativos (weedmap.com, por exemplo), e até mesmo papelaria e plásticos, que podem ser derivados do cânhamo. Entre várias outras indústrias, destaca-se a audiovisual com CDS e DVDs remixados de Bob Marley! J

Enfim, seja lá qual a indústria que você tem interesse/experiência, é bem válido se antecipar à tendência e já preparar sua próxima weed-startup. Mas esteja ciente de seus deveres enquanto não houver a liberação.

Empreender não pode subentender andar na ilegalidade. E enquanto não tiver a liberação, o uso/comercialização de derivados da maconha pode te dar problema. E por isso eventuais protótipos que precisem da planta em si devem ser feitos com autorização judicial, ao passo que produtos acessórios são permitidos, pois não é a droga em si. Mas não vá fazer um weedmap.com.BR, pois o conteúdo será ilegal e pode ser visto como uma apologia e incitação ao crime, já que os “fornecedores” seriam todos traficantes.

Há várias nuances do que pode e não pode ser empreendido, e vale consultar seu advogado (que saiba do assunto não só pela prática, mas pelo conhecimento da lei).

E ai, qual é a bola da vez?